Hospício é Deus e a Arquitetura do Cuidado: Projeto de Residência Terapêutica
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Resumo
Este trabalho investiga como a arquitetura influencia as experiências de sofrimento, controle e cuidado em instituições psiquiátricas, tomando a obra “Hospício é Deus – Diário I”, de Maura Lopes Cançado, como base para desenvolver o projeto de Residência Terapêutica. O estudo tem como objetivo identificar, na narrativa da autora, elementos espaciais associados à despersonalização, monotonia, confinamento, vigilância, violência institucional e acolhimento, transformando essas observações em diretrizes arquitetônicas humanizadas. A pesquisa utiliza abordagem qualitativa e exploratória, estruturada por meio da leitura analítica do livro, da codificação dos trechos que descrevem ambientes físicos, da categorização das sensações associadas ao espaço e da elaboração de uma nuvem de palavras para mapear os termos mais recorrentes. O referencial teórico aborda o modelo manicomial, a origem das Residências Terapêuticas, a relação entre literatura e espaço e o conceito de ambiência na saúde mental. A visita técnica à Residência Terapêutica Triestem, em Campinas (SP), contribui como referência prática para compreender aspectos de escala doméstica, convivência, autonomia e organização dos fluxos. Os resultados evidenciam como a arquitetura manicomial descrita por Cançado reforça opressão e perda de identidade, enquanto momentos de convivência mostram o potencial do espaço para promover dignidade e pertencimento. A partir dessas análises, são estabelecidas diretrizes projetuais que orientam a criação de duas Residências Terapêuticas, tipo I e tipo II, organizadas em terrenos complementares. Conclui-se que a articulação entre literatura, teoria e observação prática possibilita formular soluções arquitetônicas que favorecem o acolhimento, a autonomia e a reinserção social, oferecendo base sólida para o desenvolvimento do projeto arquitetônico.

